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    Letra da música Rapaz Comum II

    [Intro: Mano Brown]
    “Sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim
    A gente sonha a vida inteira e só acorda no fim, minha verdade foi outra, não dá mais tempo pra nada
    (Tiros)”

    [Verso 1: Edi Rock]
    Parece que alguém está me carregando perto do chão
    Parece um sonho
    Parece uma ilusão
    A agonia, o desespero toma conta de mim
    Alguma coisa no ar me diz que agora é o fim
    Meu sangue ainda quente não sinto dor
    A mão dormente não sente o próprio calor
    Meu raciocínio fica meio devagar
    Eu sei quem me fodeu
    Mas não posso me vingar
    Cresceu o movimento ao meu redor
    Meu Deus
    Eu não sei mais o que é pior
    Só vivia muito lôco o tempo inteiro
    Alguém me fala; não morra agora parceiro
    Me lembro de um fulano se aproximando
    Com uma quadrada niquilada e descarregando
    Pra me pegar foi muito fácil
    Pra sobreviver agora nem sendo mágico
    Me lembro de várias coisas ao mesmo tempo
    Várias recordações vem no pensamento
    Na frase que a coroa me dizia
    Cuidado por onde anda
    Cuidado com as companhia
    Nunca dei atenção
    Nunca ouvi
    Quando fui me ligar já era tarde
    Agora tô aqui
    A ironia da vida é loucura
    O diabo e a morte estão sempre a sua procura
    Tem alguém me chamando, quem é?
    Apertando minha mão reconheço a voz de mulher
    O choro a faz engolia as palavras
    O lenço que enxuga meu suor
    Enxuga sua lágrima
    No rosto de uma mãe que ora baixinho
    Que nunca me deixou faltar, ficar sozinho
    Me ensinou o caminho, desde criança
    Minha infância
    Mais uma eu busco na lembrança
    Na ignorância da periferia eu sou mais um
    Rapaz comum, rapaz comum, rapaz comum
    Apenas mais um

    [Refrão]
    Uh, Rapaz comum
    Apenas mais um rapaz comum
    Rapaz comum, rapaz comum
    Apenas mais um rapaz comum

    [Verso 2: Edi Rock]
    O que que pega aqui
    O que que acontece ali
    Vejo isso na correria desde pivete
    Quinze de idade já era o bastante então
    Treta no baile irmão
    Tiro de monte
    Morte nem se fala
    Eu vi um cara agonizando
    E uma mina por socorro gritando
    Depois ficava sabendo na semana
    Que dois já era
    O gueto sempre teve fama
    No jornal, revista, TV se vê
    Morte aqui, ali é natural de se vê
    Caralho não quero ter que achar natural
    Ver um mano meu coberto com jornal
    É mal
    Cotidiano genocida, reze pra achar
    Encontrar uma saída
    Me diga
    Que adianto isso traz?
    Me diga?
    Sem justiça onde existe a paz?
    A fronteira entre o céu e o inferno
    Tá na nossa mão
    Nove milímetros de ferro
    Vou falar
    Vou dizer uma parada pra você
    Quando olhar no espelho
    Então pense no que vou dizer
    Nós estamos se matando por ponto de droga
    Nós estamos se matando e quem se incomoda?
    A arma é uma isca pra fisgar
    Você não é policia que foi criada pra matar
    Rá, tá, tá, tá
    Virou um bola de neve
    Vai morrer mais um irmão
    Sem perdão em breve

    [Refrão]
    Rapaz comum (em breve)
    Apenas mais um rapaz comum (rapaz comum)
    Rapaz comum
    Apenas mais um rapaz comum

    [Verso 3: Edi Rock]
    Parece que a hora tá chegando
    Neurose aumentado
    O coração parando
    Eu vejo que de nada adiantou
    Tudo que eu lutei, conquistei
    Por aqui ficou
    Eu vejo que o homem é traiçoeiro
    Te mata por droga
    Te mata por qualquer dinheiro
    Ganância, orgulho, ofensa
    Qualquer motivo é motivo pra quem não pensa
    Então pensa
    Quem vai criar a minha filha?
    Quem vai cuidar agora da minha família?
    A gente tava espera de mais um pivete
    E eu não posso mais ver nascer o meu pivete
    Não quero admitir que sou mais um
    Mais uma vítima de um 121
    Ali dentro da gaveta do necrotério
    Ou na capela do velório no cemitério
    Eu tô me vendo agora e é difícil
    Minha família
    Meus mano
    No centro um crucifixo
    Meus filhos chorando, chamando
    Sem entender a diferença do
    Bem, mal, matar ou morrer
    Não acredito que esse puto veio até aqui
    Me matou, quer certeza e quer conferir
    Me acompanha até sepultura
    Vejo um tumulto no caixão
    É hora da amargura
    Mais uma mãe que não se controla
    Perder o filho dessa forma violenta
    Quem se conforma?
    Como eu podia imaginar
    No velório de outros manos
    E hoje eu estou no lugar
    No buraco desce meu caixão
    Jogam terra, flores
    Se despedem na última oração
    Tão me chamando meu tempo acabou
    Não sei pra onde ir
    Muito menos pra onde vou
    Qual que é?
    O que eu vou ser?
    Talvez a paz agora eu possa conhecer
    Pode crê
    Não sou o último
    Nem muito menos o primeiro
    A lei da selva é uma guerra
    E você é um guerreiro

    [Refrão]
    Rapaz comum
    Apenas mais um rapaz comum
    Rapaz comum, rapaz comum
    Apenas mais um rapaz comum
    Rapaz comum
    Apenas mais um rapaz comum
    Rapaz comum, rapaz comum
    Apenas mais um rapaz comum
    Rapaz comum, rapaz comum
    Apenas mais um rapaz comum
    Rapaz comum, rapaz comum

    Sobre Rapaz Comum II

    A música Rapaz Comum II, de Edi Rock, foi lançada no disco Rapaz Comum II, em 1999.

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