“Talvez” é o “RAP love” do Rashid

Pra mim o MC Rashid é um dos grandes nomes do nosso RAP Brasileiro na atualidade. Sempre trazendo muita força nas punchlines e já com uma boa experiência, o MC costuma apresentar um som mais pedrada que o outro.

Hoje (11/03), Rashid lançou e colocou à disposição para download o seu novo som, intitulado “Talvez”. “Talvez” é um som mais “love”, mas que se encaixará na história da maioria dos ouvintes por aí.

Pra entender melhor cada letra rimada por Rashid, resolvemos disponibilizar o mais rápido possível para todos a letra do som, muito quente por sinal! Aliás, falando em QUENTE, que beat foi esse do Laudz? Muito foda mesmo, sem palavras!

Letra:
Talvez suas amigas tenham razão
Talvez eu seja largado demais pra merecer seu coração
Vagabundo demais, que tinha sido sortudo demais
Por ganhar um pouco da sua atenção
Talvez eu não seja o cara padrão
Talvez você me ache muito nerd ou muito cafetão
Talvez eu viva muita ação
E você só queira um príncipe que jante com seus pais e peça sua mão
Me parece mesmo sem noção, um cara que tá sempre em reunião
Você nem sabe o que ele faz direito
E pra todo efeito vive dizendo por aí que tem uma missão
Nunca atende o telefone quando liga (Não!)
Não entende que por isso você briga (Não!)
Mas você sente que esse frio na barriga
É mais mais que coincidência
É tráfico de influência, é magico
Quando você larga seu mundo e seu tudo pra ficar aqui
Eu digo que isso tudo é lógico
Quando você liga eu logo sinto uma vontade de tá aí contigo
Olho pro relógio, se você vem
Não sei se sou refém ou se eu sou o seu abrigo
E agora como eu vou dormir se não tenho ela aqui
Não sei bem o que essa mina fez comigo!

Sei que você gosta
Sei que você gosta de mim e do meu jeito de ser
Gosta de mim, sei que você gosta, mas seu defeito é dizer
Talvez, sim. Talvez, não. Talvez sim, talvez, não.
Talvez, sim. Talvez, não. Talvez sim, talvez, não.

Talvez você tenha medo do futuro
Talvez goste de ficar em cima do muro
Talvez pense que achar o homem ideal seja difícil
Como encontrar uma agulha no palheiro no escuro
Talvez eu seja o bandido dessa relação (sim!)
Mas já te tirei de tantos apuros
Graças a isso, cê me deve uma, duas, três
E da próxima vez eu cobro com juros (eu juro!)
Posso ser o cara mau se você pedir
O namorado normal se eu decidir (aham!)
Mas qual seria a graça se eu fosse assim
Se você gosta dessa coisa das ruas em mim
Sei que você me conhece das ruas, enfim
Então esquece o que as pessoas te falaram
Se suas amigas dizem que caras como eu não prestam
É porque elas ainda não provaram (há!)

Sei que você gosta
Sei que você gosta de mim e do meu jeito de ser
Gosta de mim, sei que você gosta, mas seu defeito é dizer
Talvez, sim. Talvez, não. Talvez sim, talvez, não.
Talvez, sim. Talvez, não. Talvez sim, talvez, não.

Às vezes sou grudento, às vezes mais maloca
Mas eu sei que você não me troca
Às vezes ciumento, às vezes parece que pouco importa
Mas eu sei que você não me troca
Às vezes sou marrento, um pouco idiota
Mas eu sei que você não me troca
Mas se esse é o momento, então se toca
Talvez o que se eu sei que você não me troca

Sei que você gosta
Sei que você gosta de mim e do meu jeito de ser
Gosta de mim, sei que você gosta, mas seu defeito é dizer: talvez!

Com crítica ao Carnaval, Emicida lança música “Quero ver quarta-feira”

Nessa quarta-feira (02), o Emicida lançou seu novo single, intitulado “Quero ver quarta-feira“. Além de ser totalmente peculiar pelo dia lançado, também uma quarta-feira, a letra e base da música tem tudo a ver com Carnaval, que está chegando. Mas ainda tem mais. A voz escolhida pra destacar o refrão da música é nada menos que a de Mart’nália, filha de Martinho da Vila, totalmente samba.

O nome da música, ao meu ver, vem de uma “crítica” ao jeito como o Carnaval é conduzido no Brasil, onde a comunidade luta pra fazer a coisa funcionar, mas quem leva o crédito e desfila são as “modelete global”. Como o Carnaval termina numa terça-feira, o “quero ver quarta-feira”, do título da música, sugere uma reflexão: o que vai sobrar dessa beleza toda? O que vai ser da quarta-feira? E Emicida nos mostra a resposta já no começo da letra: “Recolhe os bagulho, teu sonho virou entulho“.

Bom, chega de falar, vocês que devem tirar suas conclusões ouvindo a música. Logo abaixo tem a letra pra acompanhar e entender melhor os versos agudos e inteligentes do rapper paulistano. Emicida mais uma vez tocou fundo no coração do Brasileiro e mais uma vez elevou o RAP a outro patamar.

Letra:

Barracão (Alô, comunidade)
Eu ainda vejo o mesmo barracão (É hora de abrir o olho)
Mas o espírito não (Vamo acordar, favela!)
Faz pensar que não valeu (Nossa raiz)
Faz pensar que quem morreu (Por nossa raiz)
Morreu em vão!

Fim das alegoria
Pierrot, Colombina, fantasia
O sorriso, toda alegria
O confete, festa, orgia
Recolhe os bagulho, teu sonho virou entulho
Lantejoulas nem brilham tanto se não tem o barulho das batucada
o coração faz um mês de parada
Pretos voltam a ser só pretos, estilo homem na estrada
É nóiz, fita dominada, com essas eu não posso
É só olhar os trampo que recebe menos, ainda é tudo nosso
Os gringo vem, tira mó lazer, é noiz
Divide a alegria com você, é noiz
Na Gozolândia é mó fácil dizer que é noiz, meu
Mas sozinho na quebrada, só tô eu
Vendo a comunidade dar o sangue todo dia
Pras modelete global ser rainha da bateria
Quem tem dinheiro alcança sua fantasia, sem zelo
Quem bordou ela fantasia em sair desse pesadelo

Barracão (Alô, comunidade!)
Eu ainda vejo o mesmo barracão (Vamo acordar, favela!)
Mas o espírito não (No ar, vamo abrir o olho!)
Faz pensar que não valeu (E aí?)
Faz pensar que quem morreu (Nossa raiz)
Morreu em vão!

Pois quem é fica e ajuda a erguer outro carnaval
Mas quem não é, antes da quarta tá dizendo tchau
Tira a beleza natural que vence qualquer Photoshop
Põe paquita de silicone, mulher de ídolo pop
Que só é atraente quando tá com a voz no mute
Fala de comunidade, mas só conhece a do orkut
A serpentina moca o bote da víbora assassina
Geral do filme anos atrás preveu essa sina
Quem é que me ensina a real do que eu vejo na pista
Não deixo o samba morrer, embora esses vermes insista
A elegância de um mestre sala será mantida
Ao pisar no lixo da calçada que cobre cada avenida
Não tem hora melhor pra dar um basta, excluir esses puto
Antes que as porta-bandeira hasteie bandeira de luto
Marchinhas serão fúnebres, desfiles em memórias
Se nóiz não tirar agora quem não respeita a nossa história.

Barracão (Todos os guetos, todas as favelas)
Eu ainda vejo o mesmo barracão (Todos morros, todas ruas)
Mas o espírito não (Vamo lutar pelo que é nosso)
Faz pensar que não valeu (Pela nossa raiz)
Faz pensar que quem morreu (Pela nossa história)
Morreu em vão! (Diz aí Mart’nália…)

Barracão (Barracão)
Eu ainda vejo o mesmo barracão (Da mesma maneira, no mesmo lugar)
Mas o espírito não (Só que a essência já não me parece a mesma, morô?)
Faz pensar que não valeu (Cadê o valor?)
Faz pensar que quem morreu (Os guerreiros que lutou por isso)
Morreu em vão! (Diz pra mim você agora se é verdade…)

Salve, rua
Essa é pra todas as favelas, morô?
Todas comunidades, todo mundo que da a vida, o suor e o sangue pela nossa raiz, morô?
Nos barracão, nas roda de samba, nas roda de improviso, tá ligado, mano?
Vamo tornar nosso respeito, nossa disposição, no tamanho do nosso amor, tá ligado?
Pra que a beleza do desfile esteja presente todo dia ao nosso redor, tá ligado?
Não abraça a ideia dos sanguessuga não, mano
Abre o olho, sem emoção
Prosperidade pra nóiz, tá ligado? Prosperidade pro gueto, mano
Vida longa pro samba, vida longa pra raiz
Aí pagodeiro, aí partideiro, aí MC, aí funkeiro,
Cê tem uma responsa com essa parada, irmão
Abrir o olho e seguir em frente
E lutar pela prosperidade e pela vida dos nossos, paz!

Emicida e NX Zero cantam “Só Rezo 0.2” com verso inédito no Altas Horas

No sábado, 04/12, foi ao ar o programa Altas Horas com o Nx Zero como atração musical. Em um certo ponto da noite, a banda chamou o rapper Emicida para cantar junto a música “Só Rezo 0.2”, que consta no novo cd da banda “Projeto Paralelo”.

Quem já conhecia a música pôde perceber que o verso da rapper gringa YoYo, inserida na última parte da música na versão original, foi substituído por um inédito do Emicida, que você pode conferir abaixo com a letra.

Cru, pique alvenaria, tru
Buscando só driblar corró e o ódio dos cu da Klu
Invisível tipo um assassino de olho azul

E como quem só vê Gugu, vai querer ser zum-bi?
Se fosse em outros tempo tenso, neguim

Penso, diria que nada disso era pra mim
Escapulário, sorriso esquisito, culpa de santo Expedito
Cabelo molhado, cor de terra e mal visto
Longe de vírgulas e rinocerontes
Sem rastro no barro, eu trouxe o sorriso de um monte
Obrigação de ser insuperável, pela raça
Ainda herdar a desgraça de ser pedra e vidraça
Então, seja como Deus quiser
Não posso passar por baixo ou no “cadê o choffer?”

Emicida e Rashid: futebol e basquete levam o RAP ao ouvido das massas

A ligação do esporte com o RAP já vem de longe, principalmente com os “esportes de rua”. Esportes que são costumeiramente praticados nos bairros, em quadras poliesportivas ou na própria rua, como basquete e futebol, já são inspirados pelo RAP há muito tempo, não apenas por serem ouvidos pelos próprios participantes, mas também por eles serem uma das diversas raízes formadas pela cultura de rua.

Entretanto, o que chamou a atenção há alguns meses atrás foi a representação dessa ligação ser mostrada em rede nacional por um canal como SporTV e por uma marca como a Nike. Muitos já sabem que estou falando do ocorrido com Rashid e Emicida.

Emicida e os vídeos do Nike5

Faz um tempo já que esses vídeos tão rolando na internet, e quase todos já devem ter visto, mas não custa nada dar uma incrementada na história toda.

Quem acompanha o rapper tá ligado que a relação dele com a Nike não é de hoje. Na mesma época em que havia sido indicado a três VMBs, Emicida padronizou seu próprio boot, gravando os dizeres “A rua é nóiz” e o símbolo “//\//” nas laterais.

Par de tênis Nike com o pé esquerdo, em roxo, por cima do pé direito, branco. Inscrições de "A rua é nóiz" personalizadas aparecem nos pés.
Tênis da Nike do Emicida com inscrições “A rua é nóiz”.

Só pra completar, é desse acontecimento que saiu a linha “MCs escrevem frases pra Nike, a Nike escreve frases pra mim”, da música “É Como Um Sonho”.

Bom, voltando ao assunto em questão, os vídeos do Nike5 mostram dribles “inventados” por jogadores das quadras de rua no Brasil e ao fundo versos do Emicida, a produção do som é do Casp Beatz.

Rashid e o basquete no SporTV

O nome do Rashid vem crescendo muito no meio do RAP e agora também em outras vertentes. Como eu já disse, a ligação entre o basquete e o RAP já vem de muito tempo.

Aliás, quem já não ouviu falar de jogadores famosos de basquete que gravaram “alguns RAPs”. Então, o canal SporTV resolveu aproveitar essa ligação e escolheu o RAP para sonorizar sua chamada para as transmissões de basquete do canal. Ficou assim:

Sou muito a favor desse tipo de divulgação do RAP. Ainda mais por essa ligação com a própria cultura de rua, com o Hip Hop. Tanto Emicida quanto Rashid vêm fazendo um trabalho muito bom em suas músicas, o mínimo de se esperar é que se destaquem e quebrem essa barreira do RAP ser só underground, como se os adeptos desse estilo musical fossem obrigados a ficarem longe da mídia, quase que no anonimato.

Se for feito com qualidade, se for feito em prol da música e da sua divulgação, estendendo-a pelo maior número de regiões, então, que mal tem?

Emicida faz show em Joinville/SC no lançamento do cd do grupo Versão Original

Eu nunca tinha ido a um show antes. E eu nem estou me referindo apenas ao RAP. Nunca havia ido a um show, independente do gênero. Talvez por ser do interior de Santa Catarina e não ter tido muitas oportunidades, ou, pelo menos, não ter tido as oportunidades que queria. Enfim, eu nunca tinha ido a um show antes, e era assim que precisava começar.

Conheci o trabalho do Emicida a partir de uma busca no youtube por “freestyle brasil batalha de rima”, no fim de 2009. Da admiração pela improvisação talentosa e cheia de conteúdo, nasceu a admiração pelas letras inteligentes, as citações pra vida toda, as mensagens, o aprendizado e todo o protesto de quem ama o que faz. Não é à toa que a primeira música que ouvi foi “Cidadão”.

Tava na hora de conhecer tudo de perto, sentir o clima da parada, ver qual era a real de tudo isso. Ingresso reservado pra pegar na hora, juntar uns trocado pro buzão e se jogar no mundão do desconhecido, porque ia ser tudo novo: a cidade, as pessoas, o show.

Fotografia de um show de rap em ambiente fechado e com pouca iluminação. Ao centro, o rapper Emicida, ainda jovem, aparece segurando um microfone próximo à boca com a mão direita, enquanto a mão esquerda está próxima à cintura. Ele veste uma camisa polo de listras horizontais largas nas cores amarelo e marrom escuro. O fundo é uma parede cinza lisa e mal iluminada. Na parte inferior da imagem, é possível ver o topo da cabeça de algumas pessoas da plateia e uma mão segurando uma câmera fotográfica pequena à esquerda, registrando o momento.
Emicida faz show em Joinville/SC no lançamento do grupo V.O. Foto: Divulgação.

Quem já foi em um sabe: é quente! Um show de RAP não é apenas um show, é uma confraternização. O clima, a troca de ideias, as pessoas, a reunião de uma cultura inteira, parece aqueles almoços de família do “Poderoso Chefão”.

Sem contar que a ocasião era mais que especial. Além da presença do Emicida, um dos grandes expoentes da cena atual, tínhamos ainda DJ KL Jay, que dispensa apresentações, e o lançamento do segundo disco do V.O. (Versão Original), grupo de RAP local, motivo de toda celebração.

Quanto mais a hora se aproximava, mais a expectativa e a ansiedade cresciam. Mal eram 20 horas e a gente já tava na frente da casa que ia acontecer o baile. Trocamos uma ideia com outros presentes na espera, e isso me mostrou o quanto é fácil se enturmar e fazer parcerias quando a humildade prevalece na relação. Por isso as pessoas que vivem por isso, pela cultura de rua, usam tanto a expressão “família”, mas isso é assunto pra outro post.

O show foi muito louco! A gente tinha a informação que o Emicida entraria entre 1 e 2 horas da manhã, mais ou menos. Acabou atrasando um pouco, mas não foi problema. Claro que as pernas ficaram pesadas e as costas doeram, da viagem, de tanto caminhar pela cidade e por ficar em pé quase todo esse tempo, mas toda a emoção e satisfação de estar ali fazia com que “todos os problemas” ficassem pra segundo plano.

Fotografia de um concerto de rap num local fechado e escuro. À direita, o rapper Emicida está de perfil, a cantar num microfone com fio. Ele veste uma t-shirt polo com riscas horizontais amarelas e pretas. À sua frente, à esquerda, uma multidão de jovens tem os braços levantados, muitos apontando o dedo indicador na direção do artista. Ao fundo, um banner preto grande exibe as palavras 'VERSÃO ORIGINAL' em letras brancas, acima de uma silhueta de pessoas a celebrar. No canto superior esquerdo, um foco de luz amarela ilumina o palco e há uma estrela azul brilhante pendurada na parede.
Mesmo subindo no palco depois das 3 da manhã, o rapper paulista levantou a plateia que lotava a casa. Foto: Divulgação.

A apresentação do V.O. foi inspiradora. Não tinha tido a oportunidade de conhecer o trabalho deles até aquele dia, mas levantaram a galera e esquentaram o lugar, com as músicas do novo cd e também com a participação de convidados.

Emicida entrou logo depois deles (entre as 3 e as 3:30 da manhã) e depois veio o KL Jay, infelizmente que tenha sido tão tarde, muitos já tinham ido e não puderam curtir um dos maiores Djs brasileiros.

Com duração de 1 hora, mais ou menos, ele cantou músicas de seus dois primeiros trabalhos: “Pra quem já mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei longe…” e “Sua mina ouve meu rep tamem…”. Impagável. Não só pela presença de um grande nome, mas pelo calor e vibração que isso passa pra todos presentes.

“Grana é importante, mas por que cê fez o seu primeiro show?”, tenho certeza que este é um dos grandes motivos:

A empolgação contida nas pessoas durante o show foi de outro mundo. Cantando junto as músicas do começo ao fim, levantando a mão, berrando, pulando. Toda dor do corpo desapareceu quando Leandro subiu ao palco e os “N” foram erguidos, a energia recebida de todos foi algo renovador pra mim. No momento eu lembro de ter pensado: “esse é o meu lugar…”

Eu pergunto pra você: em que outro gênero musical você veria isso? Essa integração do artista com o público. Essa visão reforça ainda mais a ideia de “família” que uns tanto criticam. Quem vê de fora diz que o RAP tá morto, quem tá dentro acredita que essa é uma das melhores fases. O RAP não é estar na mídia, o RAP está nas pequenas coisas, nos detalhes, no sentimento de quem o vive.

Emicida faz vídeo com rima inédita “Reality Show”

E vem coisa pesada por aí! Aproveitando a facilidade da internet em espalhar a mensagem, Emicida gravou um vídeo dentro da Laboratório Fantasma, com uma rima inédita intitulada “Reality Show“.

Adepto assumido da tecnologia, o rapper, que acumula milhares de seguidores no twitter e fãs no Facebook, tem se aproveitado de forma ampla das redes sociais.

Pra manter o seu nome na boca do povo, ele gravou um vídeo sem firulas, só com câmera, batida e rima. A inédita foi intitulada “Reality Show” e espera-se que se torne uma faixa de algum CD próximo.

Os versos foram muito bem recebidos pelo público que até comentou ser a volta daquele Emicida de “Pra quem já mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei longe…“.

O comentário da volta do Emicida ao que era no seu CD de lançamento não é totalmente equivocado. Digamos que “Reality Show” mostra o lado do RAP mais pesado, que esteve bastante presente na primeira mixtape.

Assim como no BBB e outros “shows de realidade”, Emicida fala que o nosso dia a dia está cada vez mais vigiado e que o ser humano está cada vez mais frustrado e também mais robotizado.

Uma realidade completamente diferente da nossa é jogada na nossa cara todo dia, quando ligamos a TV, por exemplo, e desejamos cada vez mais ter essa vida boa, mas sem o desejo de trabalhar e fazer acontecer.

Abaixo cê confere os versos na íntegra:

Letra: (Achou algum erro? Corrija nos comentários!)

Eu já vejo os chip dentro dos corpo sendo moda
Rastreando o filho pelo GPS, vai ser foda
Te despertando nas manhãs, pra que não esqueça
Desligando os talibã que levantar a cabeça
O celular, com toda função que precisar
Pra não ter como não ter
Não ter onde se esconder
Vão te achar, te perseguir, consumar, consumir
Aniquilar, iludir, presentear, com isso aí
Conforto pra alimentar sua preguiça
Cê não vai conseguir correr quando notar areia movediça
Relógio pra dar a impressão
De que o tempo tá na sua mão
Fingindo que te dão poder de decisão, jão
Refém do teu gosto, viciaram teu corpo
Em poucos instantes, cê é loco, acima de nossos coco
Sirene, hélice
De quem dá cabo, transmite via satélite
Tua vida é bosta
Boa é a dos outros, que a TV mostra
Mescla furiosidade, depressão, no cidadão que gosta
De manter a aparência com tapinha nas costas
Chama de inteligência, nunca dá uma resposta
Hipocrisia mais informação picotada te faz condenar quem não concorda
Sem fazer quase nada, te fez amar dinheiro e odiar trabalho
É óbvio onde vai dar: em frustração, caralho!

Emicida vai ao Programa do Jô e leva o RAP Brasileiro ao TT Mundial

Emcida foi o percursor de uma das maiores mobilizações virtuais em prol do rap no Brasil.

Conquistas, quebra de recordes e boca a boca sempre foram palavras muito ditas durante a história de vida de Leandro Roque de Oliveira, o Emicida. O rapper paulistano, 25 anos, detentor de dezenas de títulos em batalhas de rima e um dos grandes nomes da cena atual brasileira, foi o percursor de uma das maiores, senão a maior, mobilizações virtuais em prol do rap no Brasil.

No dia 9 de setembro, ia ao ar a entrevista de Emicida no Programa do Jô. Além de toda a movimentação e os comentários prévios, pouca gente sabe que parte do motivo que levou Leandro ao programa foram os milhares de e-mails mandados por seus fãs para a produção.

A ansiedade era grande e a expectativa criada fora imensa. E como estamos falando de uma mobilização virtual, vale a pena constatar que as mídias sociais ferviam.

Um tópico especial para a entrevista, na comunidade E.M.I.C.I.D.A, no orkut, recebia centenas de novos comentários. No twitter, tanto o próprio rapper quanto integrantes da Laboratório Fantasma aqueciam os interessados e a expectativa de todos não parava de aumentar.

O resultado não podia ser diferente. Além de uma entrevista descontraída, um show animado, Emicida ainda emplacou o topo do “TT São Paulo” e do “TT Brasil”*, deixando também as expressões “#aruaénóiz” e “Emicidio” (nome de sua nova mixtape) entre as mais faladas do País.

Além disso, Emicida estava entre os usuários mais “retweetados” e mais citados também. E a madrugada reservava mais uma novidade: de tanta gente falando do rapper, a expressão “Emicida” foi parar em 5º no TT Mundial, fato antes nunca ocorrido com o rap no Brasil.

Isso apenas prova que o que vinham falando, de o rap ter morrido, foi apenas coisa de falador, sem nenhum contexto. O rap pode ainda não ter conseguido o melhor espaço nos festivais e eventos por aí, mas com certeza está crescendo.

E com seus fãs devotados e entregues de corpo e alma ao estilo e a cultura de rua, tende cada vez mais a buscar seu espaço e mostrar-se às mídias com toda a força que tem, com toda importância e ideologia, não como um arrastão, imagem que muita gente quer pintar por aí.

Projota em Blumenau: a profecia se fez

Já estive em alguns lugares do mundo, já estive em alguns lugares no Brasil, mas se tem um lugar que me deu muita vontade de visitar essa noite foi o Lauzane. Nenhum monumento, nenhuma  localidade se compara ao sentimento, à força e à paixão pelo que faz, passados nas palavras de José Tiago Sabino Pereira, o Projota.

O  5º Sintonia Hip Hop aconteceu nesse sábado, dia 27/11, no DonnaD, em Blumenau/SC. A festa começou com Dj Kdog nas pick up, enquanto as pessoas iam chegando. Já que a casa foi se mostrar cheia depois da meia noite, antes disso tivemos a demonstração de outro ponto da cultura hip hop: a dança. Os bboys mandaram uns movimento no meio do salão, era o hip hop em ação.

A celebridade da noite não tinha nada de celebridade. Projota caminhava no meio da galera, trocava ideia, autografava as mixtapes, tirava foto, enfim, humilde como a humildade retratada em suas músicas.

A primeira atração a subir no palco foi o blumenauense Conceito – CDR, que mesmo não tendo músicas muito conhecidas pela plateia, saiu com o trabalho bem feito. Vi muitas pessoas curtindo o som do grupo, elogiando os caras. A apresentação foi curta, uns 20 minutos, mas foi o suficiente para deixar o nome no ar e mostrar que Blumenau tem RAP sim!

Logo após, quem subiu foi o também organizador da festa, o rapper Paulista. Também ficando uns 20 minutos, levantou a mão da geral com a música “Nóiz“, com a frase “Aqui o time não é PRO porque o caminho é um só“, que gerou muitos comentários e aprovação dos moleques que tavam ao meu redor.

Com certeza o Sintonia Hip Hop estava deixando o RAP de Blumenau com uma boa cara, vi algumas vezes o Projota elogiando o trabalho e a música deles, o que é uma enorme satisfação pra quem curte o gênero na cidade. Uma pena que por um problema técnico, houve um certo atraso, e o grupo União de Ideias não pode subir no palco.

Antes que eu passe direto para a apresentação que estava todo mundo esperando, vale a pena ressaltar a brincadeira feita em uma mini competição de break e de freestyle. A dança teve ótimos participantes, realmente empolgando a galera. Já o freestyle não teve tanta sorte, servindo apenas como uma brincadeira para segurar as pontas enquanto os problemas eram resolvidos.

Enfim, depois de uns 30 minutos, da pick up do Dj queimada e a montagem do Dj Zala, DJ do Projota, no outro canto da casa, só com o computador, subiu no palco a atração mais do que esperada. Vindo de São Paulo, do Lauzane, com vocês… Projota.

Garanto que não só pra mim, mas pra todos os presentes, foi uma enorme satisfação fazer parte da oração dele. Todos sabemos a ligação que o RAP, e os rappers, tem com a religião, com a fé, e sendo esse um momento muito importante para cada um deles, fez-se um momento marcante para cada um de nós. Arrepiado e renovado, o público foi ao delírio com a música que vinha a seguir: Projeção.

“Vagabundo, levanta sua mão, tenta tocar o céu e olha de cima esse mundão. Mais longe da escuridão, mais longe da solidão, mais perto da projeção!”. Não tem como não levantar o público com esse refrão. Difícil encontrar algo mais inspiracional e verdadeiro.

Eu fiz apenas esses dois vídeos porque eu tava ali pra curtir, pra sentir, e em meio à gravação, você perde vários detalhes. Como muitos ali, fui pra curtir cada letra e cantar junto, passar toda a energia possível para aquele que vinha de tão longe pra trazer suas energias positivas pra gente.

Com um repertório contendo músicas da EP “Carta aos Meus” e também da nova mixtape “Projeção“, Projota pode se considerar um diferenciado no meio de tantos outros. Com humildade e sentimento em cada uma de suas palavras, despertou isso nos que o ouviam, difícil era ver alguém parado. Uma pena a casa não estar lotada, mas como ele mesmo disse “esse é apenas o primeiro passo, aos poucos vamos crescer e trazer outros nomes, vamos dobrar, triplicar o número de presentes”.

O Lauzane pode se sentir orgulhoso de seu filho mais famoso, que “com um boot vagabundo saiu pra ganhar o mundo” e, na moral, talvez não tenha ganho o mundo, mas ganhou todo o Brasil com suas músicas de impacto e de sofrimento e felicidades reais. Deu pra sentir da plateia o choro do coração do Projota ao cantar “Véia“, música dedicada a sua falecida mãe. E tenho certeza que muitos outros corações choraram ali, lembrando de seus parentes e seus aliados que já se foram. Mais um momento marcante.

Mas, pra mim, como diria um dos mais velhos bordões de shows e eventos: ele fechou com chave de ouro. Com muitos berrando “Samurai!”, não deu em outra, a última música do show era a que eu mais esperava e com certeza, valeu a pena. Com um refrão cantado por quase todos presentes, difícil não se sentir maior que os obstáculos, não tem como se sentir pequeno ao berrar e escutar em diversas vozes o refrão lutador da música “Samurai“.

Projota no palco do DonnaD, em Blumenau, Santa Catarina. Foto: Guilherme Junkes.

Projota se foi. Essas horas ele já deve estar no Lauzane. Mas com certeza deixou em Blumenau a vontade do “quero mais”. Quero mais RAP de qualidade na cidade, quero mais Projota, Rashid, Emicida, Kamau, Pentágono, Inquérito e tantos outros nomes, quero mais sentimento e reflexão nos shows, enfim, a mentalidade precisa continuar nessa toada, precisamos continuar trazendo grandes nomes para que em breve façamos o número de presentas na casa crescer. E assim, consequentemente, crescer também pros produtores, pros patrocinadores, pros que abrem o show… a melhoria é vista em todos lados.

E como ele diz em “O RAP em ação“:

Lembro os neguim dizendo que eu era o futuro do brasil no rap, e agradeço a vocês, não me sinto o melhor, mas sou um deles, a profecia se fez.

Sem mais… Blumenau assina em baixo!

Aqui deixo meus agradecimentos ao Projota, pelo show inspiracional e reflexivo que trouxe pro nosso palco, e o desejo de ser maior que causou na gente. Também agradecer ao Paulista por ter organizado o baile, sabemos a dificuldade que é fazer uma parada assim, ainda mais em Blumenau, então, firmeza mesmo. Conceito CDR e ao União de Ideias, mesmo não tendo cantado, parabéns pelo trabalho, por chegar até aqui, e espero ver o trampo de vocês crescendo. E também, um agradecimento aos presentes, a galera que fez a festa e passou a energia positiva que a festa demandava. Nóiz!