Por que o rap brasileiro votará Lula em 2026

Em 2018, às vésperas do 2º turno da disputa entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, eu escrevi um texto sobre como o rap me ajudou a contrariar as estatísticas e não votar no Bolsonaro.

Eu falei em contrariar as estatísticas porque morava em uma cidade que mais de 71% dos eleitores votou no até então candidato do PSL naquele 1º turno. Reforcei ainda que se cruzássemos alguns quesitos extras como raça, gênero, idade, nível de escolaridade e orientação sexual, o meu bolsonarômetro iria às alturas.

Mesmo assim, eu votei em Haddad naquele pleito. A minha hipótese era que o rap, baseado na cultura hip hop, teria me dado boa parte das ferramentas para tomar essa decisão.

E eu continuo defendendo esta ideia. De forma resumida, pra não precisar repetir aquela publicação, a cultura hip hop, da qual o rap é um dos principais expoentes, trabalha o senso de comunidade; lutar não só pelo seu bem, mas das pessoas que estão ao seu redor, principalmente aquelas que mais necessitam.

Por isso, a gente fala tanto que o rap deu voz a quem não tinha voz; apontou problemas que ninguém queria ver; e iluminou várias caminhadas que tinham sido apagadas.

Ou seja, é no mínimo hipócrita se dizer parte da cultura Hip Hop e votar em alguém como Flávio Bolsonaro. A família Bolsonaro e o bolsonarismo, como um todo, são a antítese do Hip Hop: eles só pensam neles mesmos; a única família que eles realmente defendem é a deles.

Flávio Bolsonaro, que é o candidato em questão, quer que o trabalhador receba apenas por hora trabalhada, sendo que ele recebe o salário integral mesmo tendo sido o senador com o maior número de faltas em 2026; ele votou a favor do fim da 6×1 depois de muita pressão, mas mesmo assim já indica que deve fazer voltar o regime anterior se eleito; ele é investigado pelas populares “rachadinhas”, que nada mais é do que desviar o nosso dinheiro para o próprio bolso através de assessores e funcionários fantasmas.

Flávio Bolsonaro trabalha diretamente com as milícias, tendo, até 2019, enquanto deputado, homenageado pelo menos 23 policiais e militares declarados culpados ou em julgamento por crimes que vão de homicídio a corrupção. Entre estes se destacam: Adriano da Nóbrega, chefe do “Escritório do Crime”, major Edson Raimundo dos Santos, condenado pela morte de Amarildo, major Ronald Paulo Alves Pereira, condenado pelo assassinato de Marielle Franco.

Aliás, o assassinato da Marielle é emblemático. O já citado Adriano da Nóbrega foi morto muito provavelmente como “queima de arquivo” enquanto foragido da justiça por investigações sobre a morte da vereadora. E Flávio não apenas homenageou o matador de aluguel, mas também, supostamente, teria utilizado a ex-mulher e a mãe dele no esquema de rachadinhas.

E não termina por aí. Recentemente, a revista Piauí descobriu que Flávio Bolsonaro enviou R$200 mil em emendas a pedido de Robson Calixto; mais conhecido como “Peixe”, ele é apontado como elo entre o matador Ronnie Lessa e os irmãos Brazão, condenados como mandantes do crime.

Existem poucas coisas mais anti-Hip-Hop que isto.

Não à toa, estamos vendo talvez a maior mobilização em prol de um candidato na história do rap brasileiro. Uma quantidade avassaladora de MCs, DJs, beatmakers e tantos outros fomentadores da cultura estão se posicionando a favor de Lula para 2026.

“Eu vou na direção dos que estão preocupados com a dignidade do povo pobre nesse país”, comentou o paulista Rashid depois de elencar vários pontos que motivaram seu voto: menor taxa de desemprego, saída novamente do mapa da fome, a isenção de imposto pra quem ganha até R$5 mil e o menor índice de inflação, além da queda no desmatamento.

Já o carioca BK, ao participar de ato no Rio de Janeiro em apoio a Lula, defendeu a importância de estar na rua pela democracia. “É muito importante que a nossa galera do rap tá se posicionando, tá colando do lado certo, tá fortalecendo e defendendo a nossa democracia. Então, é isso, vamo de Lula no 2º Turno!”, declarou ele.

“Eu observei muito nesses dias, várias pessoas falando: ‘o rap tem que ser contra o sistema’, ‘o rap tem que ser contra tudo e contra todos’. Eu acho interessante isso, eu acredito que independente de quem tiver no poder, a gente tem mesmo que ter esse direito, a gente tem que discordar, a gente tem que questionar, mas pra gente ter o direito de questionar, de discordar, a pessoa que tem que tá lá, tem que ser uma pessoa que é a favor da democracia, tem que ser uma pessoa que é a favor do mínimo, do básico de direitos que qualquer cidadão tem que ter”, explicou o mineiro Djonga também em ato pró Lula em Belo Horizonte.

“Muita gente que eu gosto muito e fala assim: ‘ah, eu não vou votar porque votar não vai mudar em nada; segunda-feira eu vou continuar trabalhando da mesma forma’. Vai, cê vai trabalhar, mas não da mesma forma. Eu acho que o mais importante é a gente entender que não é o Lula que vai deixar você rico, mas com certeza o Flávio vai tirar muito dos seus direitos que você tem hoje”, publicou a carioca AJULLIACOSTA em seu perfil no Instagram, antes de elencar, com o auxílio de publicações de jornais reais, direitos que ela considera que serão perdidos num possível novo governo Bolsonaro: vacinas e posto de saúde gratuitos, aposentadoria, fim da escala 6×1.

“Você não vota, você não quer se preocupar com isso, mas você vai de bonde e vai ser prejudicado também. Então, vamo votar nesse 2º turno tendo em mente que quem quer tirar o seus direitos não merece ser o seu presidente”, concluiu ela.

O baiano Baco, talvez um dos mais ativos entre o top 20 de rappers mais ouvidos no Brasil, ao ser questionado sobre apoiar Lula por causa da Lei Rouanet, trouxe a lista dos artistas, de fato, mais remunerados por ela: Gusttavo Lima, Bruno e Marrone, Leonardo, Chitãozinho e Xororó, César Menotti e Fabiano, Zezé Di Camargo e Luciano, Eduardo Costa, Amado Batista, Henrique e Juliano e Fernando e Sorocaba.

“Eu posto as coisas, aí o pessoal fica: ‘Lei Rouanet, Lei Rouanet, tá com medo de perder a Lei Rouanet’. Ó os dez mais beneficiados… quem mais chegou em dinheiro aí, de músico. Vê se encontra o nome do papai aqui. Pesquisa em quem eles votam”, concluiu o rapper.

Eu acho que não é uma questão difícil pra quem tem o mínimo de conhecimento sobre a cultura Hip Hop. Fora todos os benefícios mencionados pelos rappers acima, vale pensar qual foi o único governo que já dialogou com a cultura Hip Hop, que assinou, recentemente, uma lei de incentivo que valoriza agentes e toda cadeia criativa do movimento.

Mais do que isso, se você, como eu, cresceu ouvindo rap, sabe que uma das principais pautas históricas do movimento é a defesa pela educação. A diferença no investimento em educação a favor do governo Lula já seria absurda em comparação com o governo do Bolsonaro pai, mas existe ainda um agravante: Flávio garantiu que fará um Tesouraço, o que ameaça aporte de R$ 104 bi e impõe privatizações.

De qualquer jeito, não tome nada disso como dado. Procure o posicionamento dos seus hip hoppers favoritos, claro, mas também procure as informações por conta própria e chegue nas suas próprias conclusões.

O que não dá pra fazer é não votar no dia 25 e depois pagar de gangster, de libertário, de revolucionário na Internet.

Projota em Blumenau: a profecia se fez

Já estive em alguns lugares do mundo, já estive em alguns lugares no Brasil, mas se tem um lugar que me deu muita vontade de visitar essa noite foi o Lauzane. Nenhum monumento, nenhuma  localidade se compara ao sentimento, à força e à paixão pelo que faz, passados nas palavras de José Tiago Sabino Pereira, o Projota.

O  5º Sintonia Hip Hop aconteceu nesse sábado, dia 27/11, no DonnaD, em Blumenau/SC. A festa começou com Dj Kdog nas pick up, enquanto as pessoas iam chegando. Já que a casa foi se mostrar cheia depois da meia noite, antes disso tivemos a demonstração de outro ponto da cultura hip hop: a dança. Os bboys mandaram uns movimento no meio do salão, era o hip hop em ação.

A celebridade da noite não tinha nada de celebridade. Projota caminhava no meio da galera, trocava ideia, autografava as mixtapes, tirava foto, enfim, humilde como a humildade retratada em suas músicas.

A primeira atração a subir no palco foi o blumenauense Conceito – CDR, que mesmo não tendo músicas muito conhecidas pela plateia, saiu com o trabalho bem feito. Vi muitas pessoas curtindo o som do grupo, elogiando os caras. A apresentação foi curta, uns 20 minutos, mas foi o suficiente para deixar o nome no ar e mostrar que Blumenau tem RAP sim!

Logo após, quem subiu foi o também organizador da festa, o rapper Paulista. Também ficando uns 20 minutos, levantou a mão da geral com a música “Nóiz“, com a frase “Aqui o time não é PRO porque o caminho é um só“, que gerou muitos comentários e aprovação dos moleques que tavam ao meu redor.

Com certeza o Sintonia Hip Hop estava deixando o RAP de Blumenau com uma boa cara, vi algumas vezes o Projota elogiando o trabalho e a música deles, o que é uma enorme satisfação pra quem curte o gênero na cidade. Uma pena que por um problema técnico, houve um certo atraso, e o grupo União de Ideias não pode subir no palco.

Antes que eu passe direto para a apresentação que estava todo mundo esperando, vale a pena ressaltar a brincadeira feita em uma mini competição de break e de freestyle. A dança teve ótimos participantes, realmente empolgando a galera. Já o freestyle não teve tanta sorte, servindo apenas como uma brincadeira para segurar as pontas enquanto os problemas eram resolvidos.

Enfim, depois de uns 30 minutos, da pick up do Dj queimada e a montagem do Dj Zala, DJ do Projota, no outro canto da casa, só com o computador, subiu no palco a atração mais do que esperada. Vindo de São Paulo, do Lauzane, com vocês… Projota.

Garanto que não só pra mim, mas pra todos os presentes, foi uma enorme satisfação fazer parte da oração dele. Todos sabemos a ligação que o RAP, e os rappers, tem com a religião, com a fé, e sendo esse um momento muito importante para cada um deles, fez-se um momento marcante para cada um de nós. Arrepiado e renovado, o público foi ao delírio com a música que vinha a seguir: Projeção.

“Vagabundo, levanta sua mão, tenta tocar o céu e olha de cima esse mundão. Mais longe da escuridão, mais longe da solidão, mais perto da projeção!”. Não tem como não levantar o público com esse refrão. Difícil encontrar algo mais inspiracional e verdadeiro.

Eu fiz apenas esses dois vídeos porque eu tava ali pra curtir, pra sentir, e em meio à gravação, você perde vários detalhes. Como muitos ali, fui pra curtir cada letra e cantar junto, passar toda a energia possível para aquele que vinha de tão longe pra trazer suas energias positivas pra gente.

Com um repertório contendo músicas da EP “Carta aos Meus” e também da nova mixtape “Projeção“, Projota pode se considerar um diferenciado no meio de tantos outros. Com humildade e sentimento em cada uma de suas palavras, despertou isso nos que o ouviam, difícil era ver alguém parado. Uma pena a casa não estar lotada, mas como ele mesmo disse “esse é apenas o primeiro passo, aos poucos vamos crescer e trazer outros nomes, vamos dobrar, triplicar o número de presentes”.

O Lauzane pode se sentir orgulhoso de seu filho mais famoso, que “com um boot vagabundo saiu pra ganhar o mundo” e, na moral, talvez não tenha ganho o mundo, mas ganhou todo o Brasil com suas músicas de impacto e de sofrimento e felicidades reais. Deu pra sentir da plateia o choro do coração do Projota ao cantar “Véia“, música dedicada a sua falecida mãe. E tenho certeza que muitos outros corações choraram ali, lembrando de seus parentes e seus aliados que já se foram. Mais um momento marcante.

Mas, pra mim, como diria um dos mais velhos bordões de shows e eventos: ele fechou com chave de ouro. Com muitos berrando “Samurai!”, não deu em outra, a última música do show era a que eu mais esperava e com certeza, valeu a pena. Com um refrão cantado por quase todos presentes, difícil não se sentir maior que os obstáculos, não tem como se sentir pequeno ao berrar e escutar em diversas vozes o refrão lutador da música “Samurai“.

Projota no palco do DonnaD, em Blumenau, Santa Catarina. Foto: Guilherme Junkes.

Projota se foi. Essas horas ele já deve estar no Lauzane. Mas com certeza deixou em Blumenau a vontade do “quero mais”. Quero mais RAP de qualidade na cidade, quero mais Projota, Rashid, Emicida, Kamau, Pentágono, Inquérito e tantos outros nomes, quero mais sentimento e reflexão nos shows, enfim, a mentalidade precisa continuar nessa toada, precisamos continuar trazendo grandes nomes para que em breve façamos o número de presentas na casa crescer. E assim, consequentemente, crescer também pros produtores, pros patrocinadores, pros que abrem o show… a melhoria é vista em todos lados.

E como ele diz em “O RAP em ação“:

“Lembro os neguim dizendo que eu era o futuro do brasil no rap, e agradeço a vocês, não me sinto o melhor, mas sou um deles, a profecia se fez.“

Sem mais… Blumenau assina em baixo!

Aqui deixo meus agradecimentos ao Projota, pelo show inspiracional e reflexivo que trouxe pro nosso palco, e o desejo de ser maior que causou na gente. Também agradecer ao Paulista por ter organizado o baile, sabemos a dificuldade que é fazer uma parada assim, ainda mais em Blumenau, então, firmeza mesmo. Conceito CDR e ao União de Ideias, mesmo não tendo cantado, parabéns pelo trabalho, por chegar até aqui, e espero ver o trampo de vocês crescendo. E também, um agradecimento aos presentes, a galera que fez a festa e passou a energia positiva que a festa demandava. Nóiz!

RAP do Ônibus – Projota (part. Terra Preta)

Não tem muito o que falar. Quando dois ótimos nomes do RAP Brasileiro se juntam, só podemos esperar pedrada. Gostaria só de destacar o quão forte é o sentimento que o Projota coloca em sua música e o quanto de verdade seus versos carregam. Pra mim nenhum MC consegue colocar tanto sentimento nas linhas como ele.

Parabéns aos envolvidos, #RapDoOnibus tornou-se hino para todos trabalhadores do nosso Brasil e não é a à toa que o som foi lançados às 6h de hoje (14/03). 6h da manhã, isso mesmo! Ironicamente, muitos não conseguiram baixar o #RapDoOnibus assim que lançado por já estarem em um, correndo na maratona do seu dia a dia.

Letra:

As pernas doem e o suor escorre
E vem no rosto pálido de um homem que não é ninguém
Vai trabalhar, guerreiro, vai trabalhar, bem!

Mais um dia comum na nossa vida comum, com fé
Senhor, nos leve pra onde quiser
Proteja nossos corpos e nos mantenha de pé
Que eu possa entrar e sair vivo de um metrô na Sé
Seria engraçado se não fosse desesperador
Aos olhos de quem me governa, é esse o meu valor
Sardinhas enlatadas são jogadas ao relento
Folhas secas sem vida vão levadas pelo vento
A raiva toma conta, muita treta, normal
Nasce agora um assassino serial
Prefeito que dá o aval, avisa já pra geral
“Economiza porque o buzo vai subir mais um real”
Meia dúzia na rua derruba buzo, incendeia
Alguns sem vê, sem nada, abusam e só falam da vida alheia
Mas a cidade tá cheia
Quanto mais gente, mais impostos, mais lucro pros líderes da aldeia

Me diz quem tem que acordar assim… (É nóiz!)
Me diz quem tem que acordar assim… (É nóiz!)
Me diz quem tem que acordar assim… (É nóiz!)
Me diz quem tem que acordar assim… (É nóiz!)
Ô, cobrador, deixa os menino passar
Vou sofrer uma hora e meia e ainda tenho que pagar
Libera ae, porque tá caro pra caralho
E eu não achei meu dinheiro na bosta, deu mó trabalho

Cuidado onde pisa, pois pode ser meu pé
Cuidado onde alisa, pode ser minha mulher
Veja quem manifesta, o exército de Zé
Cuidado com o que testa, pois pode ser minha fé
Meu povo quer ver melhorar
Porque dá mais trabalho chegar no trabalho do que trabalhar
Mais tarde, quando você ver o pivete roubar
É porque o pai dele tava no buzão em vez de tá lá pra educar
Meu povo tá cansado, já nem se queixa mais
Se vê acostumado e vive essa guerra em paz
Meu povo sente fome, tem que ganhar dinheiro
Pra isso precisa ser o que não quer o dia inteiro
Hoje eu vô pular catraca, na moral
Não vou pagar dois e pouco num serviço que não vale um real
Tem um pilantra comprando iate, enquanto a gente se bate
Pra pagar pra ele à vista a ceia de Natal
(Navio Negreiro hoje não difere cor…)
Amontoa e leva pra lavoura qualquer trabalhador
As mãos cansadas penduradas na barra
De uma gente que chora, mas nunca perderá a sua garra
São Paulo é uma cadeia? Faço a rebelião
Queimar colchão pra ver se alguém melhora a situação
Ninguém se move, ninguém se machucará, então
Enquanto isso eu vou cantando no buzão, assim…

Me diz quem tem que acordar assim… (É nóiz!)
Me diz quem tem que acordar assim… (É nóiz!)
Me diz quem tem que acordar assim… (É nóiz!)
Me diz quem tem que acordar assim… (É nóiz!)
Ô, cobrador, deixa os menino passar
Vou sofrer uma hora e meia e ainda tenho que pagar
Libera ae, porque tá caro pra caralho
E eu não achei meu dinheiro na bosta, deu mó trabalho

Rashid é torturado em clipe de “Vou Ser Mais”

Se tem um cara que não para de crescer no RAP Brasileiro, ele se chama Rashid. Ano passado lançou uma EP muito foda, uma das melhores do ano. Depois lançou a música Selva, que se tornou uma das expressões mais faladas no twitter no dia do lançamento, sem contar que sua letra virou quase que um hino, afinal “quem vem de onde eu vim, não gosta de ninguém”.

Hoje, venho aqui pra mostrar outro divisor de águas na vida desse grande MC: o clipe da música “Vou Ser Mais“. Antes, só uma explicação: a música já existe das épocas de “Na Humilde Crew” e era cantada em parceria com o Emicida.

O rapper então resolveu gravá-la em estúdio, já que antigamente era só em apresentações e também já emplacou um clipe… e que clipe! Com produção de Toddy Ivon, o mesmo do clipe Crises do Terra Preta, o vídeo de “Vou Ser Mais” ficou assim:

Slim Rimografia e Thiago Beats lançam CD “Mais que existir”

“Um Preto incomoda mais num carro de luxo que jogado numa lata de lixo” – E é assim que começa o CD “Mais que existir”, criado em uma parceria do rapper Slim Rimografia e o beatboxer/beatmaker Thiago Beats.

“Mais que existir” não é um CD de letras retratando tudo de ruim que existe no Brasil, no planeta, é um CD de protesto, mas ressaltando que no final pode haver algo bom. É uma mistura de vários tipos de batidas, uma mistura de gêneros, que inspira muito a “entrar na briga” pela vida. Qual a missão do cd? Provar que temos que viver, viver de verdade, mais que existir, certo?

Além da parceria com Thiago Beats, que já acompanha Slim também em shows, o cd trás Kamau, Emicida, RAPadura e muito mais. Ou seja, você com certeza vai encontrar uma música que lhe faz bem, que te diverte, pois a mistura é muito boa, tem música para todos os tipos.

Mais que Existir – Slim Rimografia & Thiago Beats

  1. Honra ao mérito
  2. Me sinto bem
  3. Epifania
  4. M.I.S.S.A.O. (Intro)
  5. M.I.S.S.A.O.
  6. Batida & Alfenin
  7. Meu tesouro
  8. Mais que existir
  9. Sair da fossa
  10. Canto da vitória
  11. Dias iguais
  12. Te esquecer
  13. Postura
  14. Ela
  15. Hinovação
  16. Cantar
  17. Me sinto só

Terra Preta lança remix de “Selva”, do Rashid

Pra começar, gostaria de dizer que eu sou a favor de remixes, quando esses são bem feitos e têm um propósito, claro. Ah, e quando os autores das músicas originais autorizam, sem dúvida.

Vamos pensar assim: você faz uma música, alguém curte muito essa música e a mensagem dela, assim resolve incluir um verso próprio seguindo no mesmo conceito. Divulgação para ambos! Como eu disse, claro, precisa haver um propósito e precisa ser bem feito.

A música Selva, de autoria do Rashid, é sem dúvida uma das músicas com maior propósito, das lançadas atualmente. É só você pegar a letra: que rapper, MC, admirador de RAP, não se sente em uma selva? “Quem vem de onde eu venho, não gosta de ninguém”, diz o próprio Rashid, na letra.

E isso me lembra o que outro rapper conceituado disse “Não existe RAP sem ódio”, palavras de Emicida. É mais ou menos por aí, o RAP surge de um protesto, de algo que você quer mudar com suas palavras, é aquele “sentimento de querer mudar o mundo com a ponta da caneta”.

Quem não iria querer fazer um remix de Selva? Tenho certeza que muita gente fez mentalmente… o Terra Preta resolveu colocar em prática!

A produção original é do incansável, e monstruoso, André Laudz, Terra Preta colocou seus versos e sua voz em uma ótima REMIX da música Selva. Era disso que eu tava falando:

Letra:

O instinto me ensinou a caçar
Sem medo e sem saber esperar (Porque eu nasci na selva)
Pra crescer foi preciso jogar
Sem vez, na cede de ganhar (Porque eu nasci na selva)
E você que não gosta da gente
Saiba que a gente não gosta de você também (hein)
Porque eu nasci na selva, me entende?
Quem vem da onde eu venho não gosta de ninguém

Correndo atrás da grana tipo um cão faminto
Louco por vitória, isso faz parte do instinto
A selva é fria e cheia de labirintos
Eu luto pra que o meu bonde não fique extinto
Mato turista mais que rinoceronte
Você percebeu que tô na pista e falo um monte
Muitos ignoram a lei da sobrevivência
A selva é um reduto de guerra e violência
Seja forte ou então desista
Tem que ser dos bons pra continuar na pista
Mente fria, estilo terrorista
Vermes e hienas querem ver sua carniça
Vem que tem porque a zebra não tem listra
Eu me sinto rodeado pela inveja e a cobiça
Mas a maioria deles se esquece
Que eu cheguei no topo da evolução da espécie

O instinto me ensinou a caçar
Sem medo e sem saber esperar (Porque eu nasci na selva)
Pra crescer foi preciso jogar
Sem vez, na cede de ganhar (Porque eu nasci na selva)
E você que não gosta da gente
Saiba que a gente não gosta de você também (hein)
Porque eu nasci na selva, me entende?
Quem vem da onde eu venho não gosta de ninguém

Só gorila na pegada, fazendo mais que peso na calçada
Cria da quebrada, minha família se reúne na contenção,
Com as caixa na rua, nossa função não para por nada
Satisfação tá com os camarada
E mais diversão pra essa criançada
O futuro são: o Diabo Veste Prada e Jesus reparte o pão
Entende a parada? cada um por si, não, nossa visão tá errada
E sem noção, porque quem rege a nação é o dim, mané
O começo do fim, é melhor você vim na fé
Uma taça e um brinde, a liberdade tá dentro de mim
A sensação de ser dono do mundo te faz querer se entregar rapidim, não é?
Hora do show, as ruas me deram flow
Pra sua insegurança, eu sou o que na tua morou
Porque quem nasce sem dinheiro é raçudo e sagaz
Quem nasce com dinheiro é sortudo e nada mais.

O instinto me ensinou a caçar
Sem medo e sem saber esperar (Porque eu nasci na selva)
Pra crescer foi preciso jogar
Sem vez, na cede de ganhar (Porque eu nasci na selva)
E você que não gosta da gente
Saiba que a gente não gosta de você também (hein)
Porque eu nasci na selva, me entende?
Quem vem da onde eu venho não gosta de ninguém

Terra Preta: “Milionário em Treinamento”, mas completo em talento

Sabe quem é o Terra Preta? “Ah, aquele que canta com ‘RAP do Ônibus’ com o Projota? Aquele que aparece em várias do Rashid?”. Seja por esses motivos ou pelos próprios sons do rapper, não há dúvidas que você sabe quem é Terra Preta. E, se hoje todos sabemos quem ele é, a mixtape “Milionário em Treinamento” foi sem dúvida um belo cartão de visitas.

A mixtape já começa chamando a atenção pelo nome. E não é simplesmente algo ilustrativo, há bastante referências a ele durante as faixas. Terra Preta fala sobre o desejo de ser rico, milionário, mas fala de um jeito positivo. Não do poder em si, de ter vadias e tudo o mais, mas sim da conquista de objetos de desejo. O que pode ser interpretado por muitos como materialismo excessivo, nós vemos como foco em algo à frente para impulsionar o trabalho.

Uma prova disso, é na música “Minha Estrela“, gravada com o Thaíde (que já deixa o som louco só por constar). Nela, Terra Preta fala também do lado ruim da grana. Que é bom cê poder comprar milicoisas que deseja, mas manter os pés no chão pra não se perder na parada é fundamental.

Uma parada que marcas no estilo do Terra Preta, e consequentemente nessa mixtape, é a mistura do ritmo e poesia, típicos do gênero, a uma voz incrível. Assim, o rapper cria uma diversidade muito da hora nos seus sons, podendo misturar facilmente o RAP falado ao cantado. Além do mais, dá um toque especial às suas músicas mais românticas, bastante presentes na mixtape.

Além disso, a mixtape “Milionário em Treinamento” ainda conta com músicas em parceria com Projota, Cabes, Sequelle e Nel Sentimentum, o que deixa o trabalho ainda mais completo e abrangente. Sem contar os remixes, que vieram a ser também uma marca registrada de Terra Preta.

A capa da mixtape 'Milionário em Treinamento' do artista Terra Preta apresenta um fundo liso em tom marrom escuro. No topo, o nome 'TERRA PRETA' ganha destaque em letras maiúsculas amarelas, seguido logo abaixo pelo título 'MILIONÁRIO EM TREINAMENTO' em uma fonte branca com textura desgastada. O centro da imagem exibe uma ilustração linear em amarelo que retrata o rosto do cantor com os lábios entreabertos e cabelos crespos volumosos. Na parte inferior centralizada, a palavra 'MixTape' está escrita em branco, utilizando uma tipografia que exibe apenas o contorno vazado das letras.

Um destaque final e pessoal que eu faria, é a música “Meu testamento“, que é gravada em cima da base de “When I’m Gone“, do Eminem, rapper que sou fã. Cês notaram alguma outra parada assim no cd?

Enfim, não sabemos se Terra Preta será um milionário, se ele terá os bens que deseja em suas letras, mas se levarmos em consideração seu talento para fazer música e sua dedicação, pode ter certeza que o cara já é.

Talvez não literalmente, não um milhão de reais, dólares ou euros, mas uma enorme quantidade de fãs que mudaram e melhoraram suas vidas inspirados pela força de vontade do rapper. Isso sim é ser um verdadeiro milionário!